Sei, serei, sempre -
até que me desintegre.
Sei, irei me desfazendo
e serei entregue
ao meu quinhão de chão
sob o céu da ilusão,
sobre o sonho de vôo...
Viro chão, terra,
para que me esqueçam,
quero meu coração
cheio de terra,
quero flores
sobre minha fronte
e quero a leveza das borboletas,
emblemas da efêmera forma
mas que perduram na essência
da luz que seduz o visionário
poeta que as observa
e espera os doces beijos
da primavera, o amor,
desejo da flor, o céu maduro
que reconhece seu rumo:
doar seu sumo, render-se -
presente em seu próprio peso
e saciedade - o reconhecimento
do ileso e latente grão,
semente que ainda surpreende o são!
Pulsa em meu ventre o seu coração!
Como esquecê-lo? Como não te esperar,
seu doce olhar de cílios longos
e cabelos anelados, aliança
que me mantém no mundo dos vivos!
Como deixá-lo ir sem viver
em mim, sem crescer e em meu
seio alimentar seus doces sonhos,
de ser grande, e ser inteiro!
Não te quero pra mim
Mas para o mundo!
Vá, também sigo, procuro
- algum meio de perdurar
sem me fixar ao desejo
de perdurar, constância
atenta, manter ilesa
a aléia da dor, que é
só amor, profundo, passagem
da luz que configura o mundo,
o obscuro e fecundo ardor,
entre as árvores em flor...
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