Aliança


Ananda,
criança
amada.

Atada
à dor,

a luz,

o amor,
o prazer

atemporal.

Um elo
que quebro
e torno
a fundir
em mim,

na chama
viva

do respiro
da trama

que habito

organelas
células
tecidos

textos
que escrevo
com meu
sangue.

Cria minha,
filho ou 
filha,
creio em
crise 

desterro

procura
o seio
da escolhida

- atriz 
maldita,

humana
inscrita

nos meandros
da herança
que nos molda.

Hélices
de luz,

prótons,
proteínas,

permito
que a vida
me invada

e evada,
altiva!

A criança
cresce
e me estica...

Alarga-me,
lira de minhas
tripas!

Ananda,
visceral
permeio:

tenro segredo,
terno desvelar.

O fim, o começo,
ardor circular.

Nova mente 
me deparo
com esses

tempos, urgência,
desterro,

meninos soterrados
sob o luar...

Ananda
avança

iluminado,

me abre

destino 

solar!

Nos interstícios
do efêmero,

Ananda veste-se 
com minha pele,

reveste-me,

mora em mim,
e é meu lar...

Eterno, 

perene
permeio,

a impermanência
é o dom

de gozar

o dom

que é domar

o dom

que é

nadar no ar

que é

voar no mar

que é

morrer 

sem dor,

que é viver

sem dar

importância
excessiva

à vida,

exceção 
absoluta,

inaudita,

conquista

que perfila

meus filhos
filhas

minhas

conquistas,

ceder,

à sede,
ao sol,

serenando

vertente

farol...

Ananda 
criança

estrela

guia...

Não há
distância
para 

sua vinda...

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