Amor Imaterial


O filho do raio,
O anjo da espada flamejante,
Portador do poder
Do rei que o eviou,

Quem é você?

Doce paradoxo,
paro para
ver... Nuvens 

banham-se
em sangue,

fogo
água

o vento
tange sua
flauta,

e me acende...
Ananda chama!

O filho do alento,
o guardião do segredo

- e o segredo é que não 
existe segredo,

nem dor, nem amor
nem medo

nem eu
nem você...

Filho do desejo,
como todo mortal 

que conheço,

mas purificado

pelo raio
resoluto,

eu, raso luto 
a chapinhar

e a morte 
a rondar,

rindo,
de meu desespero:

um mar 

inteiro

e eu a chorar por uma
lágrima perdida...

Filho da vida,
da luta indigna,
filho da mãe
degenerada

todo em sangue
e eletrecidade

filho das ruas
das cidades
filho do fio

da meada

achado na calçada
de uma madrugada

vazia...

Agora, eu posso morrer.

Deixei meu melhor pra você.

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