Como
destituir-se
do maravilhoso?
Do assombroso
amor
que sinto,
do instinto
que me
salvaguarda?
Como te matar,
essa dor,
meu filho morto,
pela segunda vez
te arrancar
de mim
e te ver
cada vez mais mais crescer
mas sem corpo, só vazão...
Como sangrar sem sofrer,
doar minha seiva sem querer
nada em retorno, não esperar
saciar-me, só te esquecer,
e me aquecer, se possível...
Filho,
faz tanto
frio...
Como não procurar abrigo?
Eu queria te ver, te sentir
assim, sem foco, sem objetivos,
apenas o dia-a-dia, a vida:
correr, dançar, pular, chover...
E sua voz a crescer, fluindo...
Nada mais me soa impossível...
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