Nasci para ser o cálice ardente
que recebe as benção do anjo de Aquário,
para que habite em meu ventre
sob a graça da cruz-fixa que me guia,
as chaves dos mistérios menores, os 4 elementos,
o templo da Esfinge sob as areias do tempo.
Já fui aquela que ilude os homens
propondo questões impossíveis,
perfazendo caminhos / descaminhos
em busca de um graal mítico
que me satisfizesse os desejos,
essa sede, sempre latente...
Há tantos milênios
proferia
as mesmas perguntas
(ou profecias?)
- sem respostas -
que já havia
esquecido
que as tinha...
Como aceitar,
Deus,
o infinito
em
meu corpo
finito
- à despeito
de meus desejos
terrenos...
Como esquecê-lo,
o menino que o índio mostrou-me
em sonho, o moreno garotinho, seus
cabelos anelados, aliança cósmica:
nasci para delirar,
almejar o impossível...
Dar a luz...
Iluminar o inaudito...
Nasci para parir
um filho, uma recordação
constante, viva...
Como viver assim, com a alma solta do corpo,
- correndo em torno e em busca de liberdade...
Com que autoridade
eu guardo essas
palavras em minha boca
- segredo que conservo como um feto -
semente de êxtase inquebrantável!
Deus Vivo,
cuja ausência
salienta a
urgência de
nossa fé!
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