Quem Diz


O olho da criança anciã,
o centro negro, sua pupila,
a maestria dos sentidos,
o gozo, o gosto da maçã...

Meu único pecado
é desejar a perfeição...

Quem admite a pureza
sem ficar vermelha,
pessoa que gosta,
caminhos do coração...

A cor que me veste,
reveste-me a emoção,
e você azul-menino,
amanhecendo, sorrindo,

anéis de fogo entorno...

Vasta paisagem, o paraíso.
A criança e seus rabiscos.
A criação, a fértil imaginação,
das cadeiras aos abismos...

Por quê cadeira? 
Porque abismos...

Seu olhar nos transpõe.
Transcende a inocência
da ciência cativa:

o segredo cuidadosamente
revelado aos bocados,
ao alcance das mãos 

como um fruto maduro...

Não há comparação
que nos sacie, basta de 
metáforas, não se desanime,

aos poucos vamos nos
descobrindo, e nús,
revestiremos-nos de luz...

Seremos um em Ananda...

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